Literatura


<leoboiko> estou lendo a Odisséia
<leoboiko> é a história de um carinha chamado Odisseu tentando voltar pra casa
<leoboiko> tipo Caverna do Dragão
<leoboiko> começa com uma náiade que prendeu ele por cinco anos numa caverna:
<leoboiko> a Calipso
<leoboiko> ela ofereceu a imortalidade em troca de amor, mas Odisseu manteve-se fiel à esposa
<leoboiko> até que os deuses se apiedam e mandam Hermes dizer para Calipso soltar o cara
<leoboiko> de coração partido, ela abriu uma fábrica de bolachas de chocolate e passou a cantar axé
<leoboiko> as bolachas são boas, mas ouvindo a voz dela você entende por que Odisseu recusou a imortalidade

Chato ver os conhecidos se afastando um a um porque você é diferente. Até quando vou me esconder feito um rato a fim de lubrificar relações sociais? Eu não nasci pra ser covarde. Eu não nasci pra ser mentiroso.

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Piririm piririm piririm, alguém ligou pra mim!
Piririm piririm piririm, alguém ligou pra mim!

— Quem é?
— Alô, seu Bicho-Cabaça? Viu uma velhinha passar por aí?

— Não vi velha nem velhinha, não vi velha nem velhinha, não vi velha nem velhinha:
    Corre! corre! cabacinha…
— Não vi velha nem velhinha, não vi velha nem velhinha, não vi velha nem velhinha:
    Corre! corre! cabacinha…

(Texto de: Traços Biográficos de Lalino Salãthiel, Guimarães Rosa)

Certos assuntos possuem montes de livros, mas pouquíssimos livros bons. Ciência da computação é um caso grave, mas sendo estudante e tal eu consigo me virar pra achar as coisas decentes. Em outras áreas que me interessam, porém, fico no escuro.

Alguém tem recomendações de bons livros sobre os assuntos abaixo? Estou procurando coisas bem escritas e informativas; algo equivalente ao que o “Desenhando com o lado direito do cérebro” é para o desenho.

  • Bicicletas.
  • Armas de fogo.
  • Carpintaria, artesanato em bambu, artesanato em palha.
  • Moda. Tanto moda atual quando estudos históricos ou antropológicos sobre moda.
  • Etiqueta. Tanto etiqueta atual quanto estudos históricos ou antropológicos sobre etiqueta.
  • Herbalismo. Meu livro dos sonhos de herbalismo é um bem cético com o seguinte formato: remédio tradicional; pesquisas que o apóiam; pesquisas que o contestam; consenso científico atual.

Um amigo, o José Marins, escreveu para a Caqui um ensaio sobre Helena Kolody e sua relação com haiku, ou melhor, com haicais. Leitura intessante. Leiam.

Fiquei curioso para saber como se escreve o “nome de haicaísta”, reika, que ele menciona. Só com essa leitura on não pude encontrá-los (existem centenas de caracteres “rei”, e centenas de “ka”). Uma foto seria bem-vinda…

Li o primeiro volume de Haiku in four volumes e gostaria de dizer que estou apaixonado por Reginald Horace Blyth. Enquanto lia, me peguei anotando citações em um caderno. Tentei lembrar há quanto tempo eu não fazia isso — e me toquei que nunca fiz isso.

Um exemplo. A tradução é minha:

Religião e poesia têm a ver com o que está realmente acontecendo no universo. A religião falsa, que nada mais é do que magia disfarçada, distorce o passado, o presente e o futuro, reconstrói-os mais próximos do que o coração deseja. A poesia falsa faz a mesma coisa, embora com resultados menos desastrosos. Ela também é um mundo de fuga, um mundo de literatura mas não de vida. Se é assim, pode parecer que a ciência é nossa única salvação das ilusões, o que é verdade até certo ponto. De fato, a ciência pode livrar-nos do irreal, mas em troca da fantasia não nos dará mais do que um universo mecanicamente correto. Ela não pode nos dizer o que é a vida, ou nos dá-la em abundância. Esta é a função da poesia, mas como visto na passagem citada acima do “Inferno” [de Dante], precisamos procurar poesia, ou seja, realidade, também nos lugares mais improváveis: na simples sonoridade das linhas, na negação obstinada da verdade, nos desejos impossíveis dos seres humanos, nos tremendos castelos de ar intelectual que erigimos, nas mentiras e sofismos que são apenas verdades invertidas.

Algumas citações e informações na rede, uma discussão crítica interessante, e citações escolhidas por mim (em formato do “fortune”).

Lendo: A Náusea, Jean-Paul Sartre.

Acabei de terminá-lo. Tenho esse costume estranho de, antes de dormir, ler os livros até me aproximar de seu fim, então adormecer e terminá-los ao acordar.

O que me impressionou em Sartre foi ver explicitamente o tipo de pensamento que ocupa minha mente. Há um código não escrito, um tabu literário que limita o que é próprio - o que é importante - o bastante para ser escrito. Aspectos da realidade que não interessem à “trama” ou à “proposta” são cortados fora. O acordo é tão forte que já cheguei a pensar ser o único a ter essa espécie de devaneios.

Por exemplo, em situações de mudança ou viagem, a realidade transfigura-se. Quando vi a rua XV pela primeira vez, ela era absolutamente outra rua, uma entidade diferente do calçadão que me é tão íntimo.

Para quem mudou-se de cidade doze vezes em vinte anos, as sensações já são conhecidas. O tempo todo você é respeitado, como alguém que estivesse próximo da morte. Não só as pessoas, mas as paredes, os objetos olham-te com deferência. Também onipresente é o sentimento de urgência, e a certeza de que alguma coisa você vai esquecer.

E como Antoine Roquentin deixando Bouville, sei que nas últimas horas a cidade me deixará antes que eu a deixe. Assumirá aquela aura de estranheza; já não será mais a minha cidade, mas o lugar que estou deixando.