Pessoal


Uma das coisas que mais me perguntavam quando decidi mudar de Ciência da Computação para Letras foi “mas não paga menos?”. “Sim”, eu respondia, e tinha que me segurar para não dizer que em parte estava mudando por isso mesmo.

É engraçado como essas coisas funcionam. Quando converso com as pessoas sobre objetivos de carreira, parece-me que elas ou entendem minha postura instantaneamente ou não entendem nunca, por mais que eu explique — o que não me impede de continuar tentando. Esta semana aconteceu um fato interessante e que pode servir de exemplo.

(more…)

Só quis escrever esta notinha para agradecer às moças que me ajudaram na mudança:

  • Kelly, por me hospedar durante a primeira fase do vestibular, e por tudo;
  • Miriam, por me dar a chave do apartamento durante a segunda fase, mesmo sem nunca ter me visto antes (—atitude insana devido à qual serei seu fã até o fim dos tempos);
  • Sulamita, por estar me hospedando agora, de forma que pude sair do limbo que é viver em pensão;
  • E Minimoe, a siamesa que mora no apartamento da Sula, pela companhia.

Grato, grato m(_ _)m

Peço perdão aos leitores mais sensíveis, mas não há outra maneira de expressar a raiva que tenho dessa frase.

Minha filha não respirava ao nascer. Se isso tivesse acontecido algumas décadas atrás, ela teria sido considerada um cadáver e abandonada à morte. Hoje, está viva e bem, graças à medicina — graças aos pediatras e enfermeiros que passaram anos debruçados sobre livros tediosos até adqüirir habilidade suficiente para ressucitar um bebê; graças às milhões de horas de dedicação acumulada no progresso da ciência; graças ao suor e sangue e carne queimada de gente que teve coragem de se opor ao obscurantismo da Igreja; graças aos cadáveres roubados, aos animais sacrificados em laboratório, aos pesquisadores que se auto-injetaram antibióticos; graças aos tubos e sondas e agulhas enfiados por todo o corpo delicado de minha filha, graças aos engenheiros capazes de criar máquinas tão precisas a ponto de arrancá-la à força do abraço da morte e dançar com seus pulmões e seu coração — graças à nossa ambição, nossa inventividade, enfim: graças aos seres humanos. No que dependesse de deus a guria tava morta.

O que me deixa mais irritado é que, quando, a muito custo, os médicos têm sucesso em curar uma doença, todos se apressam em lembrar que foi só porque a misericórdia divina o permitiu; mas, quando um paciente morre (a despeito de inúmeras rezas, novenas e promessas), é porque “a ciência” não pôde fazer nada, porque os seres humanos são falhos. Ora!

Bem-vinda ao mundo, Valentine. Você está viva porque fomos contra a natureza, contra as regras, contra o destino. Não se esqueça: daqui para frente será sempre assim. Viver é enfrentar, é subir ladeira. Este é o significado de seu nome.

Sabe do que eu gosto? Tá, você sabe, videogame & sexo. Mas, fora videogame e sexo, sabe do que eu gosto? Viajar. Não, viajar mesmo, tipo o clichê; pela própria viagem e não pelo destino (ou pelo “agito” ou para descansar ou fugir da rotina). Já li muita gente reclamando do limbo anacional que são hotéis, pensões, ônibus, estradas, aeroporto. Não eu. Adoro viajar fora de temporada, visitar lugares não turísticos, não ter casa, não conhecer nenhuma rua, não ser reconhecido por ninguém, parar numa pensão seis meses e nunca mais pisar naquela cidade.

Quando conseguir minha casa ou quitinete em São Paulo ficarei lá por três anos, no mínimo. Estou meio intimidado com isso, nunca morei três anos no mesmo lugar.

eles te dizem pra ser você mesmo, e assim as pessoas que ficarão perto de você serão as que realmente te aceitam. o que eles não dizem é que todo mundo vai se afastar de você, um por um, que os toques vão se esfriar, os olhares se desviar, seu email só vai ter spam, seu telefone não vai tocar, as agendas estarão cheias e os programas não vão bater e os compromissos e tudo o mais, e você vai ficar sozinho num quarto escuro olhando para o teto.

exceto o jack, claro. ultimamente tenho procurado refúgio constante no jack. constante demais, talvez? mas ele é tão doce, tão doce, e sempre está ali para mim, e me faz esquecer…

Só estou escrevendo para avisar aos amigos que no momento estou 100% recuperado de minha pequena depressão urbana. Encontrei remédio na mais antiga cura conhecida para vazios existenciais. Religião? Não, bobinhos, álcool & hedonismo desenfreado. Cara, na boa: o pessoal de Letras, sim, sabe como dar festas. Perdi minha camiseta social favorita e parte de meu cabelo, mas valeu a pena. Eu esperava mesmo uma diferença cultural entre Exatas e Humanas, mas não tão drástica! Vou me dar muito bem neste curso…

Minha filha nasceu falando — piadinhas, principalmente. A mãe dela dava de mamar pelos cotovelos. Eu não conseguia sacar dinheiro do banco, morcegos voavam por toda parte, e a Valentine tinha um olho azul e um olho verde.

Eu PASSEI! Quer dizer, er, claro que passei. Tinha certeza que passaria. Hahaha. Ha.

E o Cat and Girl descreve minha vida mais uma vez.

(O beatnik morto-vivo é meu personagem favorito.)

Adendo: juro que essa autora às vezes me assusta.

Estou com preguiça de escrever sobre São Paulo, por isso ando fazendo listas inúteis (é mais fácil do que pensar). Em algum ponto no futuro publico minhas anotações sobre esta cidade enorme.

Semelhanças entre eu e L, de Death Note

  • Cabelo desgrenhado.
  • Jeitão desengonçado, anguloso.
  • Dedicação obsessiva ao resolver problemas de raciocínio lógico, a ponto de parar de dormir e de viver enquanto não chegar a uma solução.
  • Consumo exagerado de doces durante esses períodos, a fim de repor as calorias gastas pelo cérebro.
  • Magreza, apesar da gula descontrolada.
  • Olheiras.
  • Roupas confortáveis, estilo pijamão.
  • Vício em café e chá.
  • Nome começando com L =)

Diferenças entre eu e o L, de Death Note

  • O L tem cabelos pretos.
  • Gosto de meus doces amargos; o L gosta deles muito, muito doces.
  • Durante os períodos de dedicação intensa, eu fico barbudo.
  • O L só se sente confortável quando sentado abraçando as duas pernas; eu, uma perna só (minha postura natural é a mesma do Near).
  • O L não tem raiva da Misa.

Manias do L que eu não tinha mas acabei pegando depois de ler Death Note

  • Deixar o dedão ou caneta sobre o lábio inferior ao pensar.
  • México.
  • Deserto do Arizona.
  • Hong Kong.
  • Desertos de sal nos Andes.
  • Islândia.
  • Mongólia, especialmente o deserto de Gobi.
  • Irlanda.
  • Glastonbury.
  • Moscou.
  • Butão.
  • Tōkyō, Kyōto, Hyōgo, Okinawa, Matsushima, Aomori, Hokkaidō.

Chato ver os conhecidos se afastando um a um porque você é diferente. Até quando vou me esconder feito um rato a fim de lubrificar relações sociais? Eu não nasci pra ser covarde. Eu não nasci pra ser mentiroso.

(more…)

Retrospectiva 2006 em uma frase: o ano passou e eu não vi. No Natal vou pro interior e de lá pra Sampa. É minha última semana em Curitiba, já? Nossa.

Como desisti de ser cientista da computação, vou perder meu acesso ao laboratório; e como não tenho computador minha presença na net vai se reduzir ao w3m em meu notebook velhão — quando conseguir pegar wireless, ou seja, muito raramente. O blog vai morrer por uns tempos e também não vou poder voltar a tirar fotos tão cedo.

Finalmente saiu a nota da última final. 6,7. Eu precisava de 4,6. Passei. Passei em todas as oito matérias que estava fazendo. Sou um Bacharel em Ciência da Computação. E passei no vestibular da USP, e passei nas entrevistas do Google, tudo ao mesmo tempo.

Eu sei que, no contexto ético do pós-modernismo globalizado, demonstrações de autoconfiança precisam ser contidas e discretas, sob o risco de ostracização por crime de arrogância; mas, depois de quase quebrar ao meio de tanto stress, eu acho que mereço. Então, com sua licença,


YES I AM!! YES I AM!! I AM A BAD MOTHARFUCKA!! A SEVEN NATION ARMY COULDN’T HOLD ME BACK!! ORE NO KACHI DA!! YOU MUST DEFEAT SHENG LONG TO STAND A CHANCE!!

É hora da… KIRBY DANCE!!

< (^_^)> < (^_^<)  --(^_^\)  \(^_^)\  |(^_^)|
/(^_^)/  (/^_^)--  (>^_^)>  (/^_^)–  /(^_^)/  |(^_^)|  \(^_^)\  –(^_^\)  < (^_^<)
(>< )  <(^_^)>  (>< )  <(^_^)>  (>^_^)/  (>^_^)\  \(^_^< )  /(^_^<)
\(^_^)/  /(-_-)\  <(^_^)>

Cara, se você for aceito no Google e recusar, eu te mato.
— Vários colegas bolsistas

Agora é hora de parar de sonhar.
— Minha mãe, quando soube que eu ia ser pai

Léo, você tem que fazer o que te deixa feliz.
Mas não largue computação, não.
— Minha tia

M. A. é um expert em redes neurais. Sua especialidade na graduação foi inteligência artificial, seu mestrado foi em algoritmos genéticos e sua tese de doutorado foi sobre programação evolutiva. Uma educação tão completa em ciência da computação abriu para ele um amplo leque de opções de carreira, indo de professor em uma universidade a… professor em outra universidade.
— DailyWTF, 2006-12-01

Na vida tudo é jogo de cintura, quem nada contra a maré o tempo todo ou é burro ou louco […] Eu estudo numa faculdade pública e posso confirmar que 99% dos professores que eu tive se concetram[sic] em dois grupos: loucos ou imbecis.
— Anonymous Coward, no meu blog

quando eu larguei a Grande Carreira Computacional pra fazer letras, meio mundo deu chilique, mas tá, e daí? eu acho que ia me foder em qualquer coisa que fizer mesmo, então que seja numa coisa em que a fodida é criativa e me agrada por dentro.
— Kelly Lima

O que diz a tua consciência? — “Torna-te aquilo que és.”
— Friederich Nietzsche, A Gaia Ciência

Se é assim, pode parecer que a ciência é nossa única salvação da irrealidade. Isso é verdade até certo ponto. Ela de fato pode nos salvar do irreal, mas em troca da fantasia não nos dá mais do que um universo mecanicamente correto. A ciência não pode nos dizer o que é a vida, nem pode torná-la mais abundante. Esta é a função da poesia, mas assim como na passagem do Inferno citada acima, temos que procurar por poesia, ou seja, por realidade, também nos locais mais improváveis: na mera sonoridade dos versos, na negação maliciosa da verdade, nos desejos impossíveis dos seres humanos, nos tremendos castelos de ar intelectual que eles erigiram, em todas essas mentiras e sofismos que são apenas verdades invertidas.
— R. H. Blyth

É que eu sou muito poeta.
— Meu avô, explicando por que deixou sua esposa atual para sair pelo mundo.

I ain’t jokin’ woman, I got to ramble.
I can hear it callin’ me the way it used to do
I can hear it callin’ me back home!
–Led Zeppelin, Babe, I’m Gonna Leave You

Pelos resultados de sua última entrevista, o time acha que você se encaixa bem na posição de Administrador de Sistemas Linux/Unix, sede européia.
— Google, para mim

Acabou. Estou há mais de cinqüenta horas sem dormir (a menos de cochilos na mesa do laboratório), mas acabou. Esta foi a última prova. Fim.

Resta saber se meu desempenho foi satisfatório.

Como chefes na última fase de um Megaman, parece que no final tudo volta. Aqui estou eu em um quarto que é praticamente uma miniatura de meu retiro em Manaus (branco, chão de azulejos, , cheio de insetos, banheirinho elevado sem box). Sem grana, alimento-me de miojo e Neston, como nos meus primeiros anos em Curitiba quando sobrevivia com bolsa-trabalho. Estudar sistemas operacionais e redes e C para os testes do Google me fez lembrar de quando meu sonho de carreira era ser um guru Unix. Fazer uma montanha de matérias e mais uns bicos me lembrou minha fase ruim no sexto período, e estudar para o vestibular foi como reviver meus dezesseis anos (até com os mesmos livros).

Ora, vejam só o Sinfest de hoje:

Mas esta foi precisamente a hipótese que levantei com três anos de idade! Baseado em minhas observações cuidadosas, concluí que no final de cada dia o sol explode em inúmeros pedacinhos, as estrelas. O colorido fantástico que eu via lá nas montanhas era causado pela explosão. Os pedacinhos de sol ainda brilhavam por algum tempo, enquanto estavam quentes, e justo quando começavam a apagar um sol novo nascia.

Confesso que na época meu método científico ainda não era muito rigoroso, então quando minha teoria foi confirmada por uma autoridade competente (minha vó), convenci-me de que estava certo.

Vestibular é fácil. Eu sempre insisto que vestibular é fácil, porque é mesmo. Boa parte da nota você consegue sem nem estudar nada, só sabendo pensar. Não entendo por que a molecada faz tanto drama com vestibular. Acho que é por dois motivos: 1) eles estudam em cursinhos, e cursinhos mais desensinam que ensinam; 2) eles não se tocaram ainda que as provas do primeiro ano na faculdade serão bem mais difíceis que o vestibular, e as do segundo ano que as do primeiro, e as do mestrado que as da graduação, e a tese de doutorado será impossivelmente mais difícil do que qualquer tipo de prova.

Passar no vestibular da Fuvest não é nenhum grande feito. Afinal, eu passei no da UFPR com dezessete anos, e naquele eram vinte e três candidatos por vaga; neste, seis. Das três coisas que estou tentando ao mesmo tempo — me formar, entrar na USP, entrar no Google — o vestibular é de longe a mais fácil. Minha pontuação ficou bem perto do que eu estimava (61/90: fui pior do esperava em matemática e melhor em biologia, então equilibrou). Tudo bem que não estudei direito e que três matérias inteiras eu vi só na última semana e que coisas como química orgânica eu vi só na véspera, mas mesmo assim ser aprovado pra Letras não é nada impressionante.

Então por que estou feliz como um moleque bobo?

Por que eu não fiquei feliz assim quando passei em Ciência da Computação?

Aliás, já que tocamos no assunto, por que é que, depois de cinco anos estudando matemática pesada de nível superior, eu fui tão mal em matemática quanto tinha ido no outro vestibular? Por que minha nota em português manteve-se acima de 90%, se em todo esse tempo eu sequer encostei num livro de português de segundo grau?

Next Page »