Cemitério de trabalhos: Letras/Japonês/USP 2010–

And sometimes, of course, the thing that genuinely excites you is the life of the mind—maybe you are in a boring French class but love French and so read Proust independently. You have to find a way to present what you do in a form that is intelligible in the terms of the system. But of course, the process of conversion, of presentation, sometimes interferes with the thing you liked doing in the first place. […] When I started college I thought I would now lead the life of the mind, rather than making good grades. It wasn't like that.

—Helen DeWitt, entrevista.

A graduação é fundamentalmente uma corrida de obstáculos. Minhas experiências mais produtivas e formativas foram lendo livros, folheando artigos a esmo na biblioteca, conversando nos corredores com professores entusiasmados, pesquisando assuntos fora do currículo em outras unidades, investigando blogs e journals da comunidade internacional—mas nada disso rende nota. A nota vem de provas e trabalhos. Os trabalhos não são feitos para serem interessantes; o objetivo é demonstrar mensuravelmente que você “absorveu o conteúdo proposto”. (Um dos sintomas que demonstra isso é que trabalhos de graduação não têm revisão; após a avaliação o trabalho é esquecido, e os comentários do professor vão para o nada. Artigos publicados, ao contrário, vão e voltam inúmeras vezes entre pesquisador, orientador, revisores, tomando forma ao longo de múltiplas interações.)

A graduação é um mundo de métricas e certificados. E, naturalmente, o que é de fato importante na vida da mente não pode ser medido nem certificado. Especialmente em Humanas.

Nesta graduação, tenho me esforçado (às vezes…) para escrever trabalhos que sejam minimamente interessantes de ler—porque senão que sentido tem tudo isso? Ao mesmo tempo, não posso abandonar as exigências da corrida de obstáculos. Nem sempre o resultado foi muito bom—em alguns casos, sem energia no fim-de-semestre, apelei para simples resumos de livros ou escrevi algo, como se diz no vernacular, “nas coxas”. O maior defeito destes trabalhos é que eles foram, no caso típico, escritos desesperadamente duas noites antes do prazo; um mau hábito que resulta em textos que explodem na página brutos, impolidos. Mas, a despeito de minha enorme vergonha com a qualidade dos trabalhos, quis publicar isto online em algum lugar. No mínimo serve como um registro parcial dos caminhos que um curso como este pode tomar.

Leonardo Boiko

2010

FLC0114 Introdução ao Estudo da Língua Portuguesa I
A variação lingüística na poesia gaúcha de Jayme Caetano Braun, com Leonardo Luís Fernandes Monteiro. Não ficou muito interessante. Foi apresentado tomando chimarrão.
FLT0123 Introdução aos Estudos Literários I
A Ingaia Ciência, de Carlos Drummond de Andrade. Típico trabalho estilo checklist, cobrindo os pontos pedidos um a um.
FLC0113 Introdução aos Estudos Clássicos II
Fiz este resumo/esquema do Capítulo II da Retórica de Aristóteles, mais esta tabela do Cap. III, para me preparar para a prova. Aproveitei e divulguei para os colegas. No fim caiu exatamente isso & o esforço valeu bastante a pena.
FLT0124 Introdução aos Estudos Literários II
FLC0115 Introdução ao Estudo da Língua Portuguesa II
  • Exercício 1, que coloquei aqui pela mini-resenha da Teoria dos Atos de Fala do Austin.
  • Análise da conversação por mensagens instantâneas, aka o trabalho acadêmico no qual consegui—justificadamente—citar lolspeak (“Em termos lingüísticos, no pedido ‘halp’ coexistem o locutor <leoboiko> e um enunciador-genérico felino”).

2011

FLL1003 Sistemas de Escrita
Pontuação, escrita e lingüística. Ilustra bem meu problema com o formato “seminário”: grande parte do que eu queria falar era conteúdo inapropriado para slides, e só quem estava presente no dia teve acesso a essa informação.
FLL1006 Teoria e Análise de Textos: Semiótica Aplicada
Relatório: Semiótica Aplicada. Resumo do conteúdo da matéria. Não sei se ficou legível ou útil para quem nunca estudou, mas para mim serve como uma espécie de fichamento.
FLM0206 Introdução aos Estudos Tradutológicos
  • Slides para A tradução contracultural de On the Road: Contra a diferença, de Thelma Médice Nóbrega. Originalmente era um seminário sobre o artigo, mas acabei acrescentando algumas coisas. O objetivo secreto foi convencer as pessoas a não lerem a tradução brasileira (e, especialmente, a não julgar o Kerouac por essa tradução).
  • As traduções do Genji Monogatari. Um tópico interessante para esta matéria: todas as três traduções têm pontos fortes e fracos (não é um clichê, elas têm mesmo!).
FLO0193 Língua Japonesa I
Mais uma vez me vi em algum tipo de “introdução à língua japonesa”. Aproveitei para corrigir minha caligrafia de kana, e produzi esta tabela de tipos de traços de hiragana que até hoje é um dos artigos mais visitados do blog.
FLO0397 Cultura Japonesa I

Os trabalhos desta matéria ficaram aquém do que ela merecia. Vale mais a pena ler logo o Cambridge History of Japan ou o livro do Morris.

FLO1295 Literatura Japonesa I
FLL1010 Historiografia Lingüística
FLT0324 Literatura Comparada II
A poética de Valéry e a poesia haicai. Este ensaio mal-editado não faz juz ao potencial do tema.
“Se o poema para Valéry é uma máquina construída conscientemente para induzir estados poéticos específicos, pensamos que, no ideal do haijin, o poeta busca conscientemente reconstruir-se como uma máquina de produzir poemas.”
FLO0194 Língua Japonesa II

Os textos a seguir não foram trabalhos formais, mas sim tentativas minhas de entender alguns assuntos. Talvez não faça muito sentido para quem não tiver a mesma bagagem de “gramática uspiana” etc.

FLO0398 Cultura Japonesa II
FLO1296 Literatura Japonesa II
  • O Nanshoku Ōkagami de Ihara Saikaku, com Bruno Prisco e Raquel Murakami. O enunciado original pedia o Kōshoku Ichidai Otoko, mas propus que seria culturalmente interessante analisar algo mais queer. Baseado em um post antigo.
  • A figura do rei-demônio na cultura japonesa. Pouco polido. Preciso rever este tema depois que estiver fluente em japonês e chinês clássico.
    Perdi a oportunidade de fazer citações ABNT de videogames aqui. Na página 15 proponho que Dragon Quest IX acidentalmente valida uma doutrina obscura e sexista do budismo esotérico.

2012

FLM0530 Introdução à Língua e a Cultura Norueguesa
I Lytinne Två: Contexto e tradução Matéria que acabou onde começou: O trabalho de conclusão é a tradução de uma canção cuja letra foi a primeira coisa em norueguês que aprendi, logo na primeira semana.
FLO1230 História do Pensamento Chinês I
Projeto de trabalho: O papel lingüístico dos caracteres chineses. Não é um “trabalho” propriamente dito mas só uma lista de tópicos possíveis de encaixar neste tema que me interessa.
FLO1395 Literatura Japonesa III
Exercício literário: Tragédia. Tentativa tosca de imitar o período semi-autobiográfico (watakushi shōsetsu) do Akutagawa, seguindo à risca a sugestão da professora de lidar com temas pessoais e íntimos de cada um. Um tema visto em sala foi o do diálogo entre Pierre Loti, que escreveu em Un Bal à Yeddo sobre japoneses fracassando em serem “ocidentais”, e Akutagawa, que respondeu com o ponto de vista dos japoneses no Butōkai. Pensando nisso, tentei fazer algo sobre o otaku crash—o momento em que o nerd japanófilo ocidental (brasileiro) descobre que nunca será “aceito” pela sociedade japonesa conservadora. (Claro que é só um exercício amador; certamente não se compara a Akutagawa.)