自動詞(じどうし)と他動詞(たどうし)

Na gramática tradicional japonesa, as categorias verbais chamadas 自動詞(“verbos sobre si mesmo”) e 他動詞 (“verbos sobre outro”) correspondem aproximadamente (não completamente!) ao que as gramáticas européias chamavam de “verbos intransitivos” e “transitivos”. Verbos transitivos são aqueles que normalmente precisam de objeto direto para “completar o sentido”:

Verbos intransitivos são os normalmente usados sem objeto direto:

Tanto no caso das línguas indo-européias quanto no japonês, a descrição tradicional é limitada e nem sempre dá conta dos fatos lingüísticos (ver e.g. [2], [3], [4]). Em termos de teorias que usam o conceito de argumentos, um verbo intransitivo espera, no caso comum, um argumento, e o transitivo dois. Muitos verbos podem ser usados de forma tanto transitiva quanto intransitiva, e verbos considerados de uma categoria ocasionalmente aparecem com o uso oposto:

Observe também a diferença entre a função semântica do sujeito nas seguintes frases de transitividade diferente [3]:

Esta possível diferença de papel existe também em construções japonesas equivalentes, como:

Pares 自動詞 e 他動詞

Um fato interessante do japonês é a existência de pares de verbos com uma raiz em comum e semântica semelhante, mas transitividade diferente. Exemplos incluem:

開くabrir (-se) 開けるabrir (algo)
生まれるnascer 生むdar a luz à
直るsarar, arrumar-se 直すcurar, consertar (algo)

Para uma lista maior de pares ver [5].

Estes pares de verbos parecem ser resultado de antigos processos produtivos, que não são mais possíveis. Okutsu (apud Martin [1]) propõe que existiram três processos:

  1. Transitivização a partir de uma base intransitiva acrescida de sufixo, como em ak.u + -er- = ak.er.u;
  2. Intransitivização a partir de base transitiva mais sufixo, como em um.u + -arer- = um.arer.u;
  3. Derivação das duas formas a partir de uma raiz primitiva, como em nao- → nao.ru, nao.su.

Como este processo não está mais disponível e como a relação semântica entre os membros de um par pode ser imprevisível, é necessário aprender os verbos separadamente como itens lexicais.

終わる originalmente era intransitivo, fazendo par com 終える transitivo. Atualmente 終わる também tem sido usado transitivamente.

Outros grupos

Alguns verbos fazem pares morfologicamente semelhantes aos pares 自動詞/他動詞, mas que não são diferenciados por transitividade e sim pela direção da ação (isto é uma pegadinha comum em provas!). Exemplos incluem:

Note que os seis verbos acima são todos transitivos (他動詞) e normalmente levam objeto direto.

Ocasionalmente aparecem conjuntos maiores do que pares; 休む “descansar” deriva 休める “pôr em descanso, suspender, aliviar” e também 休まる “ser aliviado, sentir-se tranqüilo”.

Referências:

  1. Martin, S.E. A Reference Grammar of Japanese. p. 308, section 4.6.
  2. Koike, I. A Descriptive-Comparative Note on Verb Transitivity in English and Japanese.
  3. Bertoldi, A. Transitividade verbal: tradição e inovação
  4. Tsunoda, T. Remarks on Transitivity
  5. Bullock. B. What's the difference between hajimeru and hajimaru? In: sci.lang.japan FAQ .